De centro do desenvolvimento do cristianismo nos primeiros séculos ao intenso e sofisticado turismo nos dias de hoje. Difícil é encontrar os remanescentes dos autores do legado ao Patrimônio Histórico Cultural.
Este blog registra caminhos, culturas, personagens e impressões vivenciados durante um período sabático empreendido com o intento de conhecer os efeitos do nomadismo na experência humana. Seguramente se trata de repertório parcial, vinculado a escolhas acumuladas durante uma história pessoal pautada por descontinuidades e rupturas contundentes.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
domingo, 23 de outubro de 2011
sábado, 22 de outubro de 2011
NOMADISMO E INQUIETUDE
Uma vez recebi a seguinte assertiva: "É a inquietude da alma humana que nos torna nômades". Talvez aqui esteja uma ponta do mistério da atração pelo movimento.
A nossa inquietude nos faz buscar outros espaços, que podem ser no campo material ou imaterial. Aqui, a abstração no campo da criação; lá, a concretude no movimento.
Nunca paramos. Nosso espírito se movimenta e muitas vezes somos por ele compelidos a exercícios reais. No meu caso, o nomadismo resulta diretamente do inconformismo com a estagnação e da necessidade de renovar as energias utópicas.
Sempre concordei com a afirmação kantiana no sentido de que para conhecer o mundo basta conhecer bem a nossa aldeia. Mas, agora, sei que é impossível para uma aldeia dar conta de todos os mundos possíveis e existentes no real concreto.
Buscar a multiplicidade "in loco" é uma forma aristotélica de conduta, da, qual sou adepto, sem deixar se reconhecer que algumas estruturas são recorrentes (ora transcendentes; ora imanentes).
terça-feira, 18 de outubro de 2011
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
sábado, 15 de outubro de 2011
ENTRE TRÓIA E ÍTACA
Há muito que reflito sobre a Ilíada, principalmente sobre o desfecho da guerra relatada. Enquanto alguns consideram como a síntese da traição, e outros, o resumo da astúcia, para mim o Cavalo de Tróia representa o quanto a vaidade pode ser a maior inimiga de indivíduos e coletividades.
Menelau foi vaidoso, pois pensou que por ser irmão de Agamenon (líder grego), não precisava dedicar-se ao lar. Páris, por capricho e valendo-se da sua realeza, expõe sua família e seu povo. Os troianos, convictos da sua superioridade, aceitam o "Presente de Grego".
Neste ponto a Ilíada destaca a soberba de Aquiles, que se pensava invencível e esqueceu de seu ponto fraco. E, por derradeiro, mostra que Ulisses, prepotente por tombar a grande fortaleza, desafia os deuses e, por isto, é condenado a vagar pelos mares sem conseguir voltar para sua terra.
Começa a Odisseia, onde, penso, a vaidade foi vencida pela humilde persistência, pois o herói obteve êxito quando se resignou.
No retorno a Ítaca, muito simbólico que o personagem seja, de pronto, reconhecido por seu cão, síntese da lealdade. Depois, o engajamento de Telêmaco nos planos de luta, em sintonia com o grande significado da cumplicidade familiar. Por fim, a significativa espera de Penélope, exemplo de amor e companheirismo.
(...)
É o que podemos desejar em qualquer travessia: um porto de chegada; encontar quem nos é leal; compartilhar planos com os confiáveis; a possibilidade de viver sentimentos verdadeiros. Sonhos homéricos...