domingo, 11 de setembro de 2011

sábado, 10 de setembro de 2011

NEPAL

O país tem o hinduísmo como religião oficial, mas o budismo garante 30% dos devotos. Afinal, Sidharta nasceu nestas terras.
Se fosse elaborar uma genealogia das religiões, seguramente o Nepal seria o campo de pesquisa, pois está na confluência de diferentes credos.






quinta-feira, 8 de setembro de 2011

ROMARIA

A África é muito rica. Tem um povo sorridente, sempre disposto a ensinar umas palavras em swahili (ou em maasai, ou em chagga...). Eu me limitei à Tanzânia por causa dos maasais. Que gente forte. Não é a toa que não se renderam aos caprichos colonizadores. Muito embora, é claro, sofram com as atuais intrusões turísticas em suas aldeias.
Depois de alguns safáris, e outras tantas peripécias, subi o Kilimanjaro. Afinal, segundo os maasais, a montanha (oldonyo) re-liga ao Ser Supremo (Lengai)... não que eu tenha me tornado animista, mas sempre tive uma forte referência sincrética, e, ademais, tenho admiração por picos elevados, sempre entoando para a minha vida a máxima "Dar a cada passo a dimensão da montanha".
Fico transbordando de alegria pelos pensamentos e preces que dedicam a mim. Em alguns momentos chego a sentir... Também tenho orado por todos e a todos dedicado cada passo, cada pôr e nascer do sol que tenho a honra de vivenciar.
Alguns vão ao culto para se encontrar com Deus; muitos oram... outros meditam... Eu resolvi caminhar e, assim, me encontrar com o Ser Supremo - que está no meio de nós (ou estamos no meio dele - pois nessa dimensão não há distinção entre conteúdo e continente, entre caminho e caminhante).
E, nesta altura da viagem cantarolo a bela canção de Renato Teixeira, Romaria: ... "Como eu não sei rezar / Só queria mostrar / Meu ollhar, meu olhar, meu olhar".






quarta-feira, 7 de setembro de 2011

PEQUENOS PASSOS DE ALGUNS HOMENS...

Uma paráfrase ao dito atribuído a Armstrong pode se aplicar aos hominídeos que daqui partiram e, seguramente, muito mais que os primeiros passos na lua, os passos dados nesta região da África interferiram na história da humanidade.
Tudo indica que aqui iniciou uma fabulosa marcha que povoou o planeta, o que nos faz concluir, ainda não confiando no nomadismo como modo de vida ideal, que dele somos tributários. E é sobre isto, depois de provocado inúmeras vezes, que vou tecer alguns apontamentos.
Mesmo partindo da hipótese de que inicialmente o nomadismo foi uma necessidade, uma condição imposta à trajetória humana, fato é que a prática imprimiu e reforçou características físicas que nos convidam ao movimento. Trata-se de revisitar alguns conceitos da antropologia e, após investigar o porquê de desenvolvermos um aparato tão versátil numa requintada estrutura física propícia à adaptação, concluir que o fato de termos de buscar a base material nos diferentes meios para os quais migramos construiu um "homo nomadas".
No campo material, o nomadismo é desvantajoso em relação ao sedentarismo, que propicia maior estabilidade (segurança alimentar... estrutura de procriação...). Por isso, a seleção (para usar um termo darwinista) que hoje se opera tem sentido inverso daquela verificada no nosso alvorecer enquanto espécie, mas temos muito tempo (e movimentos) até nos tornarmos o "homo sedentarius" e darmos os últimos passos da nossa humanidade.


domingo, 4 de setembro de 2011

COMUNIDADE RURAL MAASAI

Visitei uma comunidade maasai que há uns oitenta anos se assentou perto do Monte Meru (a uns 30 Km do Centro de Arusha). Diante de uma seleta plateia de cem alunos de uma sala de aula na escola primária local desenhei o Mapa Mundi na lousa e me pus a falar sobre o Brasil e como eu tinha chegado ali... duzentos olhinhos arregalados. Depois, distribui canetas, enquanto eles entoavam uma linda música em maasai (foi um dos momentos sublimes da viagem).
Achei muito interessante as três perguntas que me fizeram: meu nome; se tinha filhos; minha religião.  Tratam do indivíduo (nome), da família (filhos) e do meio social (religião)... Dá um caldo para reflexões sobre os pilares culturais daquela comunidade específica.
Outra coisa que me chamou a atenção, após caminhar muito pela localidade, é a semelhança com as comunidades quilombolas do Paraná (as que eu conheço), inclusive os problemas que enfrentarão com o "pinus" (!). Intrigou-me o porquê de maasais saírem de suas terras tradicionais próximo ao Kilimanjaro (em Moshi) e virem parar em Arusha... Será que andaram distribuindo títulos de propriedade aos protegidos da colônia?! Será que alguma restrição ambiental foi imposta nas suas terras ancestrais?! No Brasil, assim foi.
Impressionante como o "Propriedade Privada" invade o mundo; mais impressionante, o poder de resistência, de recriação, de reinveção dos filhos da terra. Onde alguns vêem meras plantações, eu vejo barricadas. As ferramentas de trabalho são armas, que, ao cortarem a terra, garantem a posse e dão tiros certeiros no modelo hegemônico. A questão é saber se as flores (as hortaliças, as tuberosas, os cereais...) vencerão os canhões do Direito Moderno, com suas brilhantes formas calcadas na sacralização da propriedade, e, mais recentemente, no purismo ambiental.
Continuo pensando naqueles duzentos olhinhos a prestarem atenção no tosco mapa que desenhei no quadro. Que eles, guerreiros do futuro, sempre entoem em seus cânticos maasais alguns versos como aqueles do Caetano: "Terra! Terra! / Por mais distante / O errante navegante / Quem jamais te esqueceria?". E que sempre desconfiem de linhas imaginárias que impeçam a existência. "Maisha marefu!"







sábado, 3 de setembro de 2011

HOTEL EQUATOR

Encontrei um exelente endereço em Arusha. Entre uma e outra expedição desfruto da tranquilidade e do reforçado café da manhã do Hotel Equator.





quinta-feira, 1 de setembro de 2011

KILIMANJARO - UHURU

No momento final, sequer pensava... Apenas sentia que mais gente estava comigo. Cheguei a murmurar: "vamos juntos Velho Otávio"... E, desconexamente, reforçava: "Vamos galera! Quem mandou me fazer ser teimoso assim... agora venham" (coisa de guarani se comunicando com os "tcheramoys"). Foi um transe, uma deliciosa tranposição para um estado em que o raciocínio não importava... só os sentidos, as sensações, os sentimentos.
Ao chegar no Uhuru (5.895 m/A - o topo da África), o guia só disse: "Eis o seu sonho". E, num lampejo de lucidez, saquei a bandeira que a  Mayra me deu e posei para a foto.
Detalhe: nesta hora a adrenalina subiu, e me senti mais perto de todos aqueles que vieram comigo nesta insana empreitada e de Deus (bem, se pensarmos na extratosfera, de fato estava... mas a questão é de maior envergadura - a ser abordada oportunamente).
Seguramente, o que chegou naquele topo foi o mais próximo do meu núcleo, sem máscaras, apenas um corpo nu (o "homo saccer") buscando um mínimo de hijidez.
Não fiz isto para testar meus limites. Apenas para realizar um sonho, e ter a certeza de que todo sonho é possível, afinal, como diria o Che, "Numa revolução, se triunfa ou se morre, se for verdadeira."...   Achenaling!