quinta-feira, 1 de setembro de 2011

KILIMANJARO - KIBO

No quarto dia, o objetivo era chegar a Kibo, a 4.700 m/A, tarefa cumprida sem grandes arroubos às 14 horas. No meio do trajeto, um infeliz encontro: a temida maca conduzindo um trekker, acometido de problema cardíaco desencadeado pela altitude.
A maior tarefa em Kibo era descansar o máximo possível, pois, por volta da meia noite, partiríamos para o "ataque final"... À tarde não consegui dormir e fiquei zanzando pelo local; depois da janta, tive um sono intermitente...
Viver é transpor as montanhas que se apresentam em nosso caminho! Começamos a subida e de pronto deu para perceber que a tarefa seria espinhosa. Um dos italianos, com início de "mal das alturas" retornou.
Após uns 500 m/A acima da nossa base comecei a sofrer de um sono mórbido. Chegava a cochilar nas pequenas paradas entre cada 140 ou 210 passos (contados).
Para me manter acordado comecei a pensar nas coisas que mais gostava, mas daí começava a sonhar (enquanto caminhava!); passei, então, a pensar nas coisas que me deram raiva na vida (e de vez em quando balbuciava um "esbravejo").
Em certo ponto falei para o guia que estava bastante difícil e ele me disse que era normal, completando: "O Gilman's Point [5.685 m/A] já garante o certificado... Vamos, é o seu sonho". Pensei: "Quem disse que eu quero certificado!... Não vim aqui por causa disto!" - e tomado por um misto de raiva e brio aumentei o passo. Nem quis parar no Gilman's Point.




KILIMANJARO - MANDARA E HOROMBO

A expedição começou às 8h da manhã do dia 26 de agosto, em Arusha. Seriam seis dias de labuta, com uma tenaz equipe de seis pessoas: o guia, o cozinheiro e quatro carregadores. Ainda no veículo que nos levava para Moshi, fiz uma boa média com a equipe quando agradeci em maasai: "achenaling".
Uma pequena burocracia (e US$636,00 de taxas), para entrar no parque desfrutando da estrutura de alojamento da Rota Marango, e começamos a ascenção até Mandara. Apenas 2.700 m/A. Nada de efeito de altitude. Parecia brincadeira de criança... Compartilhei alojamento com dois espanhóis.
O guia, Isaack, estava muito centrado na sua meta de me fazer chegar ao topo (é quase uma questão de honra); o rapaz cativou com sua fala e seu ânimo; maasai, por parte de mãe, e chaga (uma etnia que vive nas montanhas, próximo a Moshi), por parte de pai, a todo momento buscava me ensinar palavras nos dois idiomas. Na alimentação, não poderiam ter sido mais diligentes... tinha até a "hora do chá".
No segundo dia, depois de caminhar umas quatro horas, chegamos em Horombo, a 3.780 m/A. A situação começou a ficar desconfortável, mas, como teríamos um dia para adaptação no local, nada de clamor. Relaxei um pouco e me pus a falar com os italianos com os quais compartilhava o alojamento, o que me grangeou uma "enxaqueca" daquelas de "arrancar a tampa da cabeça".
No dia de adaptação fui bastante comedido. Juntamente com os espanhóis e os italianos, e os respectivos guias, andamos até uns 4.300 m/A. Pouco falei. 




EXPEDIÇÃO KILIMANJARO

A equipe:
O guia: Isaack
O cozinheiro: Deo
Os carregadores: Ibraim, Samuel, ...







quinta-feira, 25 de agosto de 2011

sábado, 20 de agosto de 2011

NGORONGORO

Erupções vulcânicas formaram o platô que hoje abriga muitos animais. As bordas da cratera servem de barreira natural, mantendo o bioma quase inalterado.











MAASAIS

Pastores nômades vindos do Egito para a Tanzânia há séculos, os maasais são o exemplo de resistência cultural. Não precisam ser reconhecidos para serem libertados, são livres. O turismo afeta um tanto da vida desse povo, que, no entanto, aprendeu a bem conduzir os visitantes para aquilo que querem mostrar, recebendo um mínimo pela intrusão.
Para mim, pisar em uma aldeia maasai representou uma transposição para algo de ancestral que tanto procuro, para algo que não se desmancha mas se constrói no ar, pois sólido não é (para utilizar uma antítese ao materialismo histórico).
Entendi o título da obra "Escrito nas Nuvens", livro adquirido durante um encontro de Antropologia Jurídica em Lima (ocasião em que o Projeto Nômade ganhou corpo) e que trata da historicidade da África Negra: a perenidade está na leveza da substância e não no peso da forma. Grandes conteúdos não precisam de métodos complexos.
O momento mais grandioso foi quando perguntei a um jovem maasai (que acabara de relatar a ocasião do seu ritual de passagem ao matar um leão...) acerca de sua religião e ele respondeu, sem titubear, A MONTANHA. Insisti sobre qual montanha (pensando que poderia se tratar do Kilimanjaro), e o jovem simplesmente apontou dando a entender "aquela que vejo". E lá estava eu, no meio da aldeia, na diminuta condição condicionada a liturgias ocidentais. Karibu!







MISS TANZÂNIA

Na entrada do Parque Ngorongoro, um encontro inusitado: candidatas a Miss Tanzânia estavam a caminho das paisagens para seus álbuns. O amigo francês, Alain, se escalou para uma foto e se sentiu o bendito fruto.